segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Colcha de retalhos

Lygia Fagundes Telles, em entrevista explicando seu processo de criação:


"...É uma espécie de colcha de retalhos, onde vou juntando mas por um mistério que eu não explico. As partes vão se buscando, estas personagens, essas frases, essas idéias vêm como que buscando e se montam, olha é tão estranho. São as coincidências na criação literária. Eu dou muito valor ao grão de acaso, ao grão da loucura e ao grão da coincidência. As peças coincidentes se buscam como na nossa própria vida, umas buscam os outros. Eu sou amiga de pessoas que eu amo e que vou amar até a morte porque eu busquei essas pessoas e elas me buscaram..."


Acho que a vida é assim: "uma espécie de colcha de retalhos" onde vamos juntanto amigos, amores, lembranças, experiências, alegrias e dores e seguimos formando e colorindo nosso mosaico particular.

E com a licença da criadora vou colorir esta postagem com a foto e as dicas da lindeza de retalhos que a Anna fez juntando tecidos de roupas vindas de brechós e pontas de estoque, uns quadrinhos de crochet, lindas borboletas e florzinhas bordadas do jardim de Anna, tudo arranjado com esmero e muito bom gosto!



Aqui as dicas da Anna:

"A epopéia é a seguinte. A colcha é quase toda feita de roupas usadas que eu comprei na feira ou em brechós (saias, camisas, blusas, calças...). Uma calça minha tb. Pra completar, uns retalhos de ponta de estoque. Enfim, uma colcha super ecológica!!!!

1 - comprar as roupas usadas na feira, tentando manter a coerência de cores.
2 - desmanchar as roupas e cortar em quadriláteros
3 - unir os pedaços, retalho com retalho num desenho lógico, como diria o Chico Buarque (a fase 3, incrivelmente, só levou um dia, a 2 foi longa)

4 - bordar alguns dos quadrados (vejam fotos dos detalhes)

5 - acrescentar os 2 quadrados de crochê roxo: sao as duas primeiras
coisinhas de crochê que eu fiz na vida, resolvi por aí como um memorial.
6 . pregar a "nuvem" atrás com esses pespontos de lã. Daí chegou a primavera e eu interrompi, retomei semana passada.
7. colocar o forro atrás

8 - fechar a colcha, arrematar as bordas
9 - fazer vários pontinhos pra sustentar o forro (aparecem como X de lã marfim). Isso eu terminei agorinha..."


Ecológica e linnnda!



E aqui o meu "puxa-saco", feito com tecido daquilo que um dia foi um vestido.






domingo, 13 de setembro de 2009

Casaquinho azul para o menino

O menino azul


O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.
O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
— de tudo o que aparecer.
O menino quer um burrinho
que saiba inventar histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.
E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.
(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Rua das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)

Cecília Meireles




Usei dois novelos de lã Família na cor azul-marinho e um pouquinho na cor branca para as listras.
Agulhas 4,5.
Receita adaptada da Mon Triot Bebê nº2 - fev/91

terça-feira, 8 de setembro de 2009

num tempo da delicadeza


... " o fato é que o tema da delicadeza começou a se infiltrar, digamos, delicadamente nesta crônica, varando os sequestros, os tiroteios, as palavras ásperas e os gestos grosseiros que ocorreram nas esquinas da televisão e do cinema com a vida (...)

sei o que vão dizer: a burocracia, o trânsito, o salários, a polícia, as injustiças, a corrupção e o governo não nos deixam ser delicados.

e eu não sei?
mas de novo vos digo: sejamos delicados. E se necessário for cruelmente delicados"




Gola feita com fio Kiko, agulhas nº 3
O ponto é o mesmo usado pela Denise e pela Nina neste lindos e delicados trabalhos.

Ponto Concha Laminada

Monte um número múltiplo de 12 + 1 ponto


1ª carreira: 1m, *1laç, 4m, 1md (passar 1 ponto sem fazer em meia, fazer 2 juntos em meia e passar o ponto sem fazer por cima do ponto feito e deixar cair), 4m, 1laç, 1m*

2ª carreira: em tricot todos os pontos.

Fiz 55 cm e arrematei e coloquei os botões.


domingo, 6 de setembro de 2009

Um dia de domingo


"... É domingo.
E aos domingos as árvores crescem na cidade,
e os pássaros, julgando-se no campo, desfazem-se a cantar empoleirados nelas.
Tudo volta ao princípio."

António Gedeão


Bolo de Iogurte com Nozes

4 ovos
1 copinho de iogurte natural (170g)
1 e 1/2 medida do copinho de açúcar
2 medidas do copinho (cheio) de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento
3/4 medida no copinho de nozes trituradas
Pouco mais de 1/2 medida do copinho de óleo


Bater, muito bem, no liquidificador: os ovos, o iogurte, o óleo e o acúcar.
Despejar esta mistura numa vasilha e juntar a farinha mexendo sempre.
Colocar o fermento mexa delicadamente e por último acrescentar as nozes trituradas.
Leve para assar em forno médio pré-aquecido em assadeira untada e enfarinhada e deixe por aproximadamente 45-50 minutos. Este tempo pode variar de forno para forno.
Se quiser polvilhe com um nozes trituradas misturadas com um pouquinho de açúcar.




terça-feira, 1 de setembro de 2009

Vem a Primavera


"O homem distraído não vê a Primavera, pois não há neves que se derretam nem campos que se cubram de flores instantâneas. Mas quem viver com o nariz no céu bem que a sente, talvez porque o sol ande um pouco para o sul, talvez porque as laranjas dos caminhões ficam piores e apareçam as jabuticabas, e certas árvores deitem flores, e os peixes nos deixem comer suas ovas, e os dias começam a florescer mais cedo, e as primeiras cigarras comecem a cantar."


Rubem Braga, Vem a Primavera, em "Um Pé de Milho", Ed. Record.