Este doce típico de Nápoles, comumente preparado na Páscoa, época que coincide com a colheita do trigo, é uma torta rústica feita a base de ricota, trigo em grãos e ovos. Seu sabor é divino e fica ainda mais encantador quando se "descobre" como surgiu a primeira pastiera....
" narra-se que a sereia Paternope encantou-se com a beleza do Golfo, entre Posillipo e Vesúvio, onde tinha fixado seu domicílio.
Na época da primavera, a bela sereia emergia das águas para saudar as felizes pessoas que povoavam o Golfo, encantando-os com canções de amor e alegria.
Uma vez sua voz foi tão melodiosa e suave que todos os habitantes ficaram fascinados e comovidos com a doçura do canto e das palavras de amor que a sereia tinha dedicado a eles.
Em agradecimento, decidiram então lhe oferecer aquilo que lhes era mais precioso.
Assim, chamaram sete ninfetas do vilarejo que lhe ofereceram primeiramente a farinha, simbolizando a força e riqueza dos campos; depois a ricota em agradecimento dos pastores; o ovo, símbolo da vida que sempre se renova; o trigo tenro fervido no leite, como prova das duas regiões da natureza, água da flor de laranjeira, porque também o perfume da terra queria homenageá-la; as especiarias, representando porque os povos distantes; e, por último, o açúcar para propagar a doçura do canto de Paternope no céu e na terra e em todo o universo.
A sereia, então, feliz com tantos presentes, voltou para as profundezas cristalinas do mar e depositou suas preciosas ofertas aos pés dos deuses que, por sua vez, tambémm eram encantados com o suave canto da sereia.
Assim, reuniram e misturaram com a arte divina todo os ingredientes, transformando-os na primeira Pastiera di Grano, que superava a doçura do canto da sereia."
Lenda apresentada no site pastiera.com e também no Livro: História da Confeitaria do Mundo de Ângelo Sabatino Perrela e Myriam Castanheira Perrela, Editora Livro Pleno.
Aqui a receita como os deuses me contaram:
Ingredientes:
Massa:
3/4 de xícara (chá) de açúcar
4 xícaras (chá) de farinha de trigo
2 ovos
1 xícara (chá) de manteiga sem sal
Preparo:
Juntar os ingredientes, misturar bem. Não trabalhar demais a massa. Deixar descansar por 30 minutos, envolta em filme plástico, na geladeira.
Recheio:
250g de trigo cozido (deixado de molho na véspera e cozido por uns 25 minutos na pressão)
1/2 litro de leite integral
1 pitada de sal
raspas de limão verde
1 colher (sopa de açúcar)
e ainda:
500 g de ricota fresca (a que usei foi feita no dia anterior por um chef, pai de uma amiga, os dois muito queridos)
3 gemas
1 e 1/2 xícara de açúcar
1 col. (chá) de baunilha
1 col. (chá) canela em pó
200 g de frutas cristalizadas, mas os deuses me permitiram usar damascos secos
200 g de uvas passas escuras
3 claras em neve
Preparo:
Leve ao fogo brando o trigo (já cozido), a colher de açúcar, o 1/2 litro de leite, as raspas de limão e a pitada de sal e deixe ferver até quase secar o leite e reserve.
Hidrate os damascos e as uvas passas em um pouco de água morna, deixe um tempinho escorra bem e pique os damascos em cubos pequenos.
Misture bem: a ricota esfarelada, as gemas bem batidas, o açúcar, a baunilha, a canela. Junte a esta mistura o trigo apurado no leite, as frutas e mexa com cuidado... e agora é hora de abrir a massa, forrar fundo e lateral de uma forma de aro desmontável (eu usei um refratário) que deve estar untada, reserve parte da massa para fazer o gradeado que irá por cima.
Coloque as claras em neve no recheio e misture novamente. Despeje o recheio na forma (ou refratário), faça o gradeado e leve ao forno a 180º por 45 minutos ou até que esteja levemente dourada.