segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ode à maçã

"Quero ver
toda a

população

do mundo

unida, reunida,

no ato mais simples da terra:

morder uma maçã"


Pablo Neruda





Doce de maçãs

6 ou 7 maçãs lavadas, inteiras e descascadas
1 e 1/2 xícara de água
cravos-da-índia
1 embalagem de gelatina vermelha (pode ser de morango, framboesa ou cereja)

Misture a água com o pó da gelatina.
Coloque as maçãs numa panela de pressão e por cima despeje a mistura feita com a gelatina.
Coloque os cravos-da-índia.
Tampe a panela, faça isto pela manhã (ou ao anoitecer), à noite (ou pela manhã) leve a panela ao fogo médio alto e conte 15 minutos, do momento que ligar o fogo, e desligue.
Deixe fechada e só abra depois de umas 6 horas ou na manhã seguinte (ou na noite seguinte).




E esta receita de hambúrguer é feita sem ovo e sem farinha.


Hambúrguer magrinho (com maçã)



Ingredientes

400g de patinho ou coxão mole (bem limpinho!) moído
1/2 maçã descascada e ralada no ralo fino
2 dentes de alho amassados
1 colher (chá) de tempero pronto Receita da Casa
1 pitada de sal

Misture os ingredientes e deixe descansar por uns 15-20 minutos.
Molde os hambúrgueres não muito "altos" para que cozinhem por igual.
Ponha um fio de óleo de canola numa frigideira (a minha é de ferro foi da vó do meu marido), deixe aquecer um pouco e coloque os hambúrgueres, costumo colocar a meia tampa para formar um caldinho que ajuda no cozimento. Deixar dourar de um lado, virar e deixar dourar do outro lado.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Profiteroles, bombinhas, eclairs ou carolinas???

Qual será a diferença entre elas?
Não sei dizer mas sei que do dia que vi a receita de bombinhas da Márcia fiquei cheia de vontade.

E mesmo ela tendo avisado que era
impossível comer apenas uma não hesitei em me aventurar a fazer a "patê a choux" que apesar do nome invocado é fácil de preparar e muito divertida de comer!

Segui os passos da Márcia e com algumas adaptações às medidas daqui de casa.

Para a massa:

1 xícara de água
3 colheres de sopa de margarina ou manteiga 4 ovos (não podem ser muito grandes) 1 1/4 de xícara de farinha de trigo
Segui as orientações dela: leve a água e a margarina para ferver.
Quando abrir fervura, abaixe o fogo e despeje a farinha de uma só vez, mexa bem até desgrudar do fundo da panela.
Acrescente os ovos um a um, nesta etapa usei a batedeira com o garfo para massas.

Depois com duas colheres de chá vá fazendo as bolinhas e leve para assar em forma untada com óleo. No forno aqui de casa foi uns 20 minutos.

Variei um pouquinho o creme, fazendo com:
1/2 lata de leite condensado
2 gemas
450 ml de leite
2 colheres de sopa (generosas) de amido de milho

Leve ao fogo moderado e mexa até ficar com uma consistência cremosa.

E para a cobertura u
sei chocolate meio amargo amolecido em banho-maria e depois juntei umas duas colheres de creme de leite.


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Cor de laranja

Para a menininha dos nossos olhos.
Uma blusinha cor de laranja!




"Cor-de-laranja doce
Cor-de-laranja amarga
Cor de laranja como se fosse
Cor-de-laranja é uma carga...

Cor-de laranja que se come
Cor-de-laranja verde
Cor-de-laranja que mata a fome
Cor-de-laranja que se perde

Cor-de-laranja uma cor
Cor-de-laranja concentrada
Cor-de-laranja é um favor
Que a amarela fez à encarnada!"

Bernardo Soares



sexta-feira, 27 de novembro de 2009

"e, porque acreditava, eles existiam"

Acredito em anjos e, também, na felicidade, igualdade, solidariedade e amor puro entre todos as criaturas da terra.

Foi uma experiência natalina, muito embora tenham ficado um tanto estranhas as minhas "anjas" foram feitas de coração e gostei delas penduradinhas aqui em casa.


p.s. o título da postagem vem de Clarice Lispector, em "A Hora da Estrela"

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Papilottes de peixe


Prato simples, saudável e rápido.
Quer mais?
Super leve e não deixa bagunça na cozinha.

Ingredientes:

4 filés de peixe (usei Saint Peter (tilápia vermelha)
3 tomates maduro e firmes picados em cubinhos
2 raminhos de manjericão fresco
sal a gosto
azeite de oliva

Coloque cada filé de peixe, depois de lavado e seco, sobre um retângulo de papel de alumínio do tamanho que seja possível envolver o peixe para que ele fique fechadinho lá dentro).
Divida o tomate em quatro porções, uma para cada filé de peixe.
Polvilhe o sal.
Pique grosseiramente o manjericão sobre cada filé.
Regue com um fio de azeite.
Feche os papilottes, o segredo do bom cozimento é estarem bem fechados para que o vapor não saia.
Leve ao forno médio por uns 35 minutos.
Aqui em casa cada um abre seu papilotte no prato.
Fica ótimo acompanhado de arroz branco (ou integral) e uma saladinha verde.

domingo, 22 de novembro de 2009

Pequeninas

Deus é alegria. Uma criança é alegria. Deus e uma criança têm isso em comum: ambos sabem que o universo é uma caixa de brinquedos. Deus vê o mundo com os olhos de uma criança. Está sempre à procura de companheiros para brincar.

Rubem Alves, psicanalista, educador, teólogo e escritor




Pantufinha rápida e charmosa com a receita da Regina (saudades d'ocê, viu?!).
Eu usei a lã Glitter.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

La trendy scarf



Há tempos que me tentava tricotar este cachecol.
Foi ao ver o que a
Solange fez (descoberto pela Olívia!), aí veio o da Rebeca e o da .
E as dicas da Mónica foi a gota para sair o meu.
A receita original está aqui.

Usei agulhas 8, fio Matiz, 120 pontos.



Tem também lindos cachecóis horizontais feitos pela Mademoiselle e pela Márcia que um dia irão para as agulhas.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Bolo de infância (I)

Antiguidades

Quando eu era menina,
bem pequena,
em nossa casa,
certos dias da semana
se fazia um bolo,
assado na panela
com um testo de borralho em cima.

Era um bolo econômico,
como tudo, antigamente
Pesado, grosso, pastoso
(por sinal que muito ruim)

Eu era menina em crescimento.
Gulosa,
abria os olhos para aquele bolo
que me parecia tão bom
e tão gostoso.

A gente mandona lá de casa
cortava aquele bolo
com importância.
Com atenção. Seriamente.
Eu presente
Com vontade de comer o bolo todo.
Era só olhos, boca e desejo
daquele bolo inteiro...

Cora Coralina

Entre as saudades das coisas da minha infância (e adolescência...) estão os bolos feitos por gente querida. De alguns tenho guardado o aroma e ouso dizer que até o seu sabor, como se hoje mesmo os tivesse saboreado.

Uns feitos com mais frequência por agradar a todos ou por serem mais econômicos. Entre estes, um era o bolo de fubá que Tia Nena, irmã da minha avó, "batia" em suas visitas a nossa casa. Muito saboroso, destes feitos sem receita escrita só com a destreza da mestre cuca, talvez até por ter ingredientes únicos: seu carinho e a energia de suas mãos fortes de descendente de italianos.
Nada de batedeira ou liquidificador, era "batido na mão".

Maiorzinha, pedi que anotasse a receita mas nunca consegui fazê-lo ficar como o que ela preparava.

Boas lembranças daquelas tardes de sábado animadas pela prosa da parentada, que ria e contava histórias do passado, com o cheirinho inesquecível do bolo de fubá da Tia e o café passado no coador de pano pela Vó.


Bolo de Fubá

1 e 1/2 xíc. (chá) de açúcar
1 copo (daqueles de requeijão) de fubá
1 copo (requeijão) de farinha de trigo
1 copo (requeijão) de leite gelado
3 ovos (claras em neve)
1/2 copo (requeijão) de óleo
1 colher (sopa) pó royal
erva-doce

Bata as gemas, o óleo e o açúcar, misture a farinha, o fubá e o leite.
Junte as claras delicadamente e por último o fermento.
Mexa bem.
Leve para assar em forno pre-aquecido em temperatura média-alta.
Por uns 45 - 50 minutos (depende de cada forno).
Se quiser polvilhe açúcar com canela depois de assado.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Coletinho para "bebezinha"


Feito com fio Bijou, agulhas 3,5.
A cor? Da seda azul do papel que envolve a maçã...

Quando criança nem gostava tanto de maçãs mas me encantava o contraste da seda azul que delicadamente envolvia o vermelho da maçã.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009


O carinho e o selo veio da Olívia... doçura em forma de gente!
Obrigada!

Aqui estão as regras:
1 - Mostrar este selo em seu blog
2 - Postar estas regras
3 - Link de volta o blog de quem te deu o selo
4 - Faça uma lista dos 5 sentidos e o que cada um representa para você
5 - Nomeie cinco outros blogs, e informe-os, deixando-lhes um comentário.

Meus cinco sentidos:

Visão: cães se divertindo numa manhã fresca e ensolarada

Audição: ondas quebrando na praia e vento soprando no bambuzal

Paladar: café com canela e chocolate

Tato: abraçar bem apertado as pessoas que quero bem

Olfato: cheiro de roupa limpa secando no varal, cheiro de mato pela manhã, cheiro de pão saindo do forno...

Agora espalhando o carinho, que desta feita vai para:

Elena - siempre tejiendo

Maria - Florinda Tricô

Larissa - Tricotando com amor

Marico - Marinoie

Sue - Sue feito a mão



sábado, 17 de outubro de 2009

Crrroookies, crrrooockies, crrrooockies...


A Paty levou a gola e trouxe estes cookies diferentes... humm, humm, humm! Eles são mais durinhos e crocantes que os tradicionais.

Ela testou a receita do programa matinal
i... humm, croc! croc!

A criançada deve adorar!
E olha esta idéia que a Andrea encontrou para colocar delicinhas e presentear.

Obs.: Para meu gosto ficou beeem doce, acho que dá para substituir meia xícara de açúcar por chocolate em pó no lugar (não é achocolatado!), anota aí Paty!

E além dos biscoitos ela trouxe esta "coisinha" mais fofa... nossa cara daqui a alguns anos!
O marido, como sempre, grudado nos ilvros e eu no tricot.


Nossa amizade começou pela divisão de livros, seguimos dividindo bolachas, biscoitos, sonhos, alegrias, decepções, medos...
E com todas estas divisões fomos aprendemos a somar amor, carinho e respeito em nossos corações.
Obrigada, querida amiga, por isto e tudo mais!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Azulecendo


"Diego não conhecia o mar. O pai, santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.

Viajaram para o Sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.

E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
_ Me ajuda a olhar!"

Eduardo Galeano,no Livro dos Abraços, ed. L&PM

Como ver o mar, como ver os Andes... não sei? Mas meus olhos se perderam na "infiniteza" destes azuis!

Bem que as experts
Tricoteiras advertiram que o fio é lindo, diferente de tudo já visto e que é sucesso!
Obrigada, meninas.
Muita satisfação em conhecer e tricotar com "Los Andes", da Aslan

Agulha 10, ponto arroz duplo, gola pronta rapidinho.

E tão logo acabada foi aquecer gente querida... a Paty, amiga do coração, levou!




Botão de madrepérola... afinal é da cor do mar!

Aqui em ponto meia e...

um visitante inesperado, quiçá querendo furtar um pouco de todo este azul.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Torta de tomate, abobrinha e azeitonas

Para Viver Um Grande Amor


Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.

Vinicius de Moraes




A diferença desta torta é ter uma massa que não leva margarina ou manteiga e ser o recheio de vegetais e deve contar uns pontinhos...


Ingredientes


Recheio:

2 abobrinhas italianas
5 tomates maduros e firmes
sal
6 col. (sopa) de azeite de oliva
150g de azeitonas pretas picadinhas
salsinha picada

Massa:
1 ovo
3 colheres (sopa) de azeite
1/4 de xícara (chá) de água
1 col. (chá) de fermento em pó
1 e 1/3 de xícara (chá) de farinha de trigo

Preparo
Corte as abobrinhas e os tomates em rodelas finas e tempere com sal. Deixe reservado.
Misture os ingredientes da massa e trabalhe a massa. Abra com um rolo e coloque sobre um refratário untado com azeite (ou óleo) forrando o fundo e as laterais.

Distribua em camadas a abobrinha e o tomate, alternando camadas de tomate e de abobrinha.
Regue com 4 colheres de azeite e asse em forno preaquecido a 180ºC por uns 40 a 45 minutos.
Retire do forno e salpique com as azeitonas picadas e a salsinha.
E agora é só viver seu grande amor!


Receita publicada no encarte "Tortas", de uma revista "Ana Maria"

terça-feira, 13 de outubro de 2009

"A beleza das flores quase sem perfume..."

Cambará no meu quintal!

Belo Belo


Belo belo belo,

Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.

E o risco brevíssimo — que foi? passou — de tantas estrelas cadentes.

A aurora apaga-se,

E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,

Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:

Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.

— Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.


Manuel Bandeira



Fuxiquinhos em algodão xadrez, simplesmente deliciosos de fazer!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Tecendo


Tecendo a manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe este grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,

se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão

João Cabral de Melo Neto



Tal qual a tricoteira que tecendo um ponto após outro ponto urde uma idéia.



Fio Neoné (Pingouin), cor palha, agulhas 4.
Modelagem reta, detalhe em crochet no decote.
Talvez o tecido tenha ficado mais brilhante do que a idéia... mas o que está feito está feito.



domingo, 4 de outubro de 2009

Agulheiro


Um Apólogo

"Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
- Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?
- Deixe-me, senhora.
- Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? R
epito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
- Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
- Mas você é orgulhosa.
- Decerto que sou.
- Mas por quê?
- É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
- Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?

- Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados…

- Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu faço e mando…
- Também os batedores vão adiante do imperador.
- Você é imperador?
- Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto…

Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana – para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:

- Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima.

A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.

Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E quando compunha o vestido da bela dama, e puxava a um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, perguntou-lhe:

- Ora agora, diga-me quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.

Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:

- Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.

Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça: – Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!"

Machado de Assis



... embora não tenha ido ao baile, ficou aconchegada numa almofadinha. Meno male!


sábado, 3 de outubro de 2009

Tentei!

No caminho das idéias da Claudinha (que fez um ótimo passo a passo) e da Márcia tentei fazer um porta agulhas, forrando uma lata (embalagem de perfume).

Fiz em ponto alto e me certifiquei que preciso treinar muuuito para ter um trabalho tão lindo quanto destas talentosas meninas.

Além de não obter o resultado desejado ganhei um machucado no dedo esquerdo e uma baita dor na mão direita.





" Elza cuidava da casa mais do que dela mesma.
Ela era a casa.
Seu crochê lhe envolvia na copa, nas cortinas, nos armários.
Ela se tecia.
Elza servia na casa como linha na almofada.
Não lhe faltava nada.
Sempre achei que os fios entre os seus dedos não passavam de cordões umbilicais."




Telma Scherer, no livro "Rumor da casa"
Ed. 7 LETRA
S

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Guardando agulhas

Quem tem afinidade com as agulhas, fios e afins acha sempre um jeitinho de manter nas mãos alguma ocupação. Por conta disto vive carregando pra tudo que é canto suas sacolinhas, bolsinhas e saquinhos com seus trabalhos. Quando vi esta "descoberta" da Solange achei muito jóia! Nada como ter uma caixinha destas em cada lugar com agulhas, alfinetes e coisinhas miúdas.
Dei uma emperiquitada na minha
...



Mas continuam na ativa as outras latinhas (é mania!), estas duas ganhei do meu marido há uns vinte anos. Como é bom ter latinhas com apetrechos e boas lembranças...


domingo, 27 de setembro de 2009

Bolo integral de banana (ou maçãs)


Esta receita foi Dida quem me passou.
Quando provei o bolo feito por ela cheguei a duvidar que fosse só com farinha integral, pois era!
E garanto que fica muito ótimo, muito macio!

Coloquei o leite no lugar da água que ela indica na receita e não fiz a calda.

Ingredientes:

4 maçãs ou 5 bananas nanicas médias picadas
2 xíc. (chá) de farinha de trigo integral
1 xíc. (chá) de açúcar mascavo peneirado
1 xíc. (chá) de leite em temperatura ambiente (a Dida usa água)
1 xíc. (chá de uvas passas hidratadas em água morna e bem escorridas
3 colheres (sopa) de rum (dispensável mas eu coloquei!)
1/2 xíc. (chá) de óleo
3 ovos (claras em neve)
1 col. (sopa) de fermento em pó
1 pitada de canela em pó

Preparo:

Bata a as gemas com o açúcar peneirado, junte o leite, o óleo e a farinha e bata bem.
Coloque o fermento mexa um pouco cuidado e acrescente as claras em neve, mexa com delicadeza.
Acrescente as passas e as bananas (ou maçãs).
Leve para assar em forma untada e enfarinhada em forno médio por 45-50 minutos.
Este tempo pode variar de forno para forno.

A calda que é feita assim:

Leve para ferver: 1 xíc.ara (chá) de açucar mascavo com 1 colher (sopa) de canela em pó e 12 colheres (sopa) de água. Mexa a mistura para não queimar.
Coloque sobre o bolo assim que tirar do forno.
Deixe esfriar por uns 30 minutos.

Acompanha bem: chá de cidreira, aniz e menta ou poejo com gengibre adoçados com mel.


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Deixe a porta aberta...


Não se admire se um dia,

um beija-flor invadir
a porta da sua casa
te der um beijo e partir


foi eu que mandei o beijo
que é pra matar meu desejo
faz tempo que eu não te vejo
aí que saudades d'ocê...


um encanto o beija-flor do vídeo!

Para deixar minha porta aberta fiz com uns de retalhinhos de tecido estes pesinhos de porta, tudo retinho já que tenho lá minhas diferenças com a máquina de costura.

Estes floridinhos são com o tecido do meu antigo puxa-saco, acho tão alegre a estampa que seria uma pena me desfazer dele.



Estes com tecido cortado na feitura da bainha de uma calça.


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Quibe de ricota

Esta receita é uma das mais práticas que conheço.
Sempre sucesso aqui em casa,
saudável e saborosa!

Ingredientes:

2 xícara de trigo para quibe
400g de ricota
um punhado de hortelã fresca

1 cebola grande ralada (ralo grosso)
5 colheres de sopa de azeite de oliva
sal a gosto

Preparo:

Colocar o trigo de molho em água fria por 2 horas (para quem tem pressa pode deixar por uns 30 minutos em água morna, aprendi este truque com Tereza)
Amasse a ricota, junte o trigo muito bem escorrido.
Junte a cebola ralada, a hortelã bem picadinha, um pouco de sal e o azeite.
Misture bem.
Unte um refratário com um pouquinho de azeite.
Espalhe o quibe e leve para assar em forno médio por 30-40 minutos (fica douradinho no fundo e laterais)


hortelã do canteirinho no quintal... agora parece que vai!

Quem quiser pode descobrir alguns segredos das ervas passando aqui, tem um artigo curtinho e bem legal.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

22 de setembro, 21:18, equinócio, primavera

Sol de Primavera

Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão onde a gente plantou juntos outra vez
Já sonhamos juntos semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar
Já choramos muito, muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar uma nova canção que venha nos trazer
Sol de primavera abre as janelas do meu peito
a lição sabemos de cor
só nos resta aprender...

Beto Guedes e Ronaldo Bastos