quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Torta de tomate, abobrinha e azeitonas

Para Viver Um Grande Amor


Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.

Vinicius de Moraes




A diferença desta torta é ter uma massa que não leva margarina ou manteiga e ser o recheio de vegetais e deve contar uns pontinhos...


Ingredientes


Recheio:

2 abobrinhas italianas
5 tomates maduros e firmes
sal
6 col. (sopa) de azeite de oliva
150g de azeitonas pretas picadinhas
salsinha picada

Massa:
1 ovo
3 colheres (sopa) de azeite
1/4 de xícara (chá) de água
1 col. (chá) de fermento em pó
1 e 1/3 de xícara (chá) de farinha de trigo

Preparo
Corte as abobrinhas e os tomates em rodelas finas e tempere com sal. Deixe reservado.
Misture os ingredientes da massa e trabalhe a massa. Abra com um rolo e coloque sobre um refratário untado com azeite (ou óleo) forrando o fundo e as laterais.

Distribua em camadas a abobrinha e o tomate, alternando camadas de tomate e de abobrinha.
Regue com 4 colheres de azeite e asse em forno preaquecido a 180ºC por uns 40 a 45 minutos.
Retire do forno e salpique com as azeitonas picadas e a salsinha.
E agora é só viver seu grande amor!


Receita publicada no encarte "Tortas", de uma revista "Ana Maria"

11 comentários:

  1. Olá paty
    Muito boa essa receita...e o texto do Vinicius é lindo!!!!
    Bj
    Nilda

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  2. rss só isso pra viver um grande amor?
    a receita parece ser bem fácil e deliciosa... comeu tudo antes de tirar a foto??
    bjinhos

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  3. Nossa Judy, que delícia! Já copiei.

    Bjs!

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  4. Seu post está lindo e apetitoso !!!Tudibom!!!
    bjos

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  5. Caraca,salivei aqui.
    Que delícia.
    Bjs

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  6. Judy, lindo texto, ainda decoro um poema do Vinicius. rss
    Delícia de torta, muito bonita tbm.
    bjs

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  7. Judy ,amo Vinicius desde que morava lá no sul do mundo , ainda amo ,gostei de ler Para viver um grande amor ( meu outro amor é Pablo Neruda ).
    O post uma delicia , do texto até a torta!!!BJUS!

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  8. Querida, as receitas podem ser faceis e comuns, mas contadas por voce, ficam lindas e saborosas.
    É muito facil se entusiasmar, sair correndo de casa, passar na lojinha de lãs e no supermercado, para comprar dois novelos da Los Andes e 4 abobrinhas...
    É o que vou fazer imediatamente, sob pena da água da boca pingar no teclado, hohoho.
    bjs
    Marcia Martha

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  9. Pois é amiga, fiz a torta mas como a preguiça falou mais alto, substitui a massa por pão de forma sem casca, molhadinho com azeite...hummm ficou maravilhosa, alem de gostosa, é claro!
    E uma amiga que provou, sugeriu que substituisse a massa por pão sírio ou pão de folha, na proxima eu vou fazer assim!
    Obrigada mais uma vez pela receita, delicada e deliciosa,
    alem da poesia do Vinicius, sempre um refresco para a alma.
    bjs

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